eu sei porque eu costumava passar um mês inteiro na praia, e um mês inteiro é muito tempo para simplesmente fugir da sua rotina, você cria uma nova.
não eu, porque eu não sou dessas pessoas que tem rotina. se eu acordo cedo a semana inteira começo a pensar o que pode estar errado com o meu organismo pra ter escolhido um horário pra despertar.
mas não era sobre isso que eu ia falar. ia falar que faz quatro anos que eu estou nessa cidade, indo quase todo dia a mesma faculdade, lendo quase os mesmos textos, encontrando as mesmas pessoas (porque todo mundo sabe que as pessoas na faculdade são imutáveis, 1/4 vai embora e 1/4 chega todo ano, mas são sempre os mesmos personagens), que estarão fazendo as mesmas coisas, bebendo as mesmas coisas, nos mesmos lugares.
9h - café no centro de vivência
12h - suco no ru
16h - café no centro de vivência
18h - cerveja no kanashiro
21h - café no centro de vivência
23h - cerveja no kanashiro
as mesmas pessoas, te juro que são as mesmas pessoas, em todos lugares.
daí chega o fim de semana e também é a mesma coisa. são as mesmas pessoas em todos os lugares. no perere, no berlin, no pub, nos bares, nas repúblicas, as mesmas pessoas bebendo.
daí começa a dar um desespero. começa a pensar que ouvir p3 no perere é puro deja vu. muda playlist, muda baixista, mas é a mesma coisa. são as mesmas pessoas se chacoalhando no mesmo ritmo, cantando smiths junto e bebendo.
e eu sou parte do cenário, eu virei personagem da faculdade, todo mundo já sabe o que eu vou fazer, quando eu vou fazer, com quem eu vou fazer. (mania de perseguição) não é todo mundo, mas eu sei. e isso dói, dói pra porra saber que eu posso inventar de fazer um nunca por dia e que isso não é nada mais do que o esperado.
e que mesmo que eu passe um semestre trancada em casa, quando sair as coisas e as pessoas e os lugares ainda serão os mesmo.
e que eu posso conhecer um monte de gente nova todo dia, mas que elas são o mesmo personagem de gente que eu já conheci.
e eu não aguento mais.
e esse post é dedicado pro charles que pertence aqui como ninguém, mas não pertence mais aqui.