quarta-feira, 23 de novembro de 2011

dia 86 - não eu ainda não perdi a conta


não tenho tempo de escrever mas tenho tempo de ler. mentira, tenho tempo pra nada não, tenho uma monografia pra acabar 20 dias atrás. também tenho louça pra lavar e procuro voluntários. 
mas enfim, eu parei de escrever mas não parei de pensar e hoje estava pensando em algo mais ou menos assim quando li o texto da Carolina Sbaile no malvadezas. altamente recomendo os dois blogs. 

Aí eu fico pensando. Se eu tivesse um filho, como eu, Carolina Sbaile, explicaria religião a ele? Porque, né? Criança faz perguntas.
Filho Imaginário: Mãe, o que é religião?
Eu: É uma doutrina sem qualquer referência histórica na qual as pessoas acreditam porque elas precisam de estímulos para serem felizes.
Filho Imaginário: Por quê?
Eu: Porque o mundo é uma merda e todo mundo precisa acreditar em alguma coisa.
Filho Imaginário: Você acredita em religião, então?
Eu: Não, por isso eu sou alcoólatra.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

dia 66 - das piores tristezas da vida

hoje eu tô puta triste. daquelas piores tristezas da vida. impossíveis de esquecer, de superar, de aceitar, de não chorar.
e eu não quero conversar sobre como isso é trágico. não quero escrever várias páginas sobre como isso é trágico. não quero ligar pra ninguém pra contar de como isso é trágico.
não quero comer um chocolate esperando que a serotonina me anime, porque não vai animar. não quero que a júpiter insista em subir no meu colo, mesmo porque não sei onde ela foi parar. não quero dormir por três dias esperando acordar e tudo estar bem, porque não vai estar. não quero me afundar em trabalho, terminar de escrever a monografia só pra não pensar nisso, porque eu vou pensar e não vou conseguir escrever.

eu só queria tomar um porre em silêncio. ficar muito bêbada e xingar a vida por ser tão injusta, filha da puta e sem sentido. deitar no meio da rodovia e gritar 'por que deus, por que? seu sacana!".

porque se nada vai fazer as coisas melhores, melhor estragar com tudo de uma vez. não é?

dia 65 - metodologia e técnicas de construção de cenários e gestão estratégica

hoje eu estava numa de metodologia e técnicas de construção de cenários e gestão estratégica.
sim, interrogação bem grande. 
e sim, eu tenho uma matéria com esse nome, e lá a gente aprende a prever o futuro fazendo cálculos.
ou não.

daí o professor queria fazer alguma coisa que eu não entendi, nem sou obrigada a entender porque já me decretei - por aqui - dessa matéria e não pretendo aparecer em mais nenhumazinha aula.
e ele pediu um problema pra gente analisar as soluções possíveis.
sim, interrogação bem grande.
e sugeriram a qualidade de vinda no campus. sim, interrogação bem grande.
e entregou cartõezinhos e canetinhas hidrocor e fita crepe pra gente fazer um quadro com os principais problemas do campus.
o melhor cartãozinho, sem dúvida nenhuma, foi o de "alcoolismo". me diverti horrores vendo o professor tentando encaixar "alcoolismo" entre as nuvenzinhas de "infra-estrutura", "excesso de lixo", "falta de segurança" e "barulho".
ótimos né? se alguém tiver mais alguma sugestão de problemas sérios no campus pode colocar nos comentários. sou bairrista, adoro falar mal de onde eu moro.
mas o cartãozinho do alcoolismo foi ficando. ninguém ousava tirar, assumir que esse não é um problema real, que as pessoas são muito mais fáceis de lidar quando não estão bêbadas. que se não fosse isso talvez teria muito menos gente ouvindo música alta e ruim pela madrugada afora, muito menos copos jogados pela rua, muito menos trombadinhas sem noção e muito menos gente achando que pode fazer o que quiser sem se preocupar com os vizinhos.
e ao mesmo tempo não dava pra classificar como causa ou consequência de qualquer um dos outros problemas.
o alcoolismo está tão presente e intrincado no nosso dia a dia, na nossa experiência de vivência que tudo que podemos fazer é piada. e foi o que o professor e a sala fez.

ps: dia 65! faltam só 300!